FENAVEGA - A VERDADE IGNORADA, ESCRITA NAS ENTRELINHAS DE ACIDENTES COMO O QUE OCORREU NO RIO XINGU
Faça da FENAVEGA sua página inicial
.



A VERDADE IGNORADA, ESCRITA NAS ENTRELINHAS DE ACIDENTES COMO O QUE OCORREU NO RIO XINGU

A VERDADE IGNORADA, ESCRITA NAS ENTRELINHAS DE ACIDENTES NO RIO XINGU

 

Muito se tem noticiado desde o acidente ocorrido no dia 22 à noite, nas águas do rio Xingu, próximo à cidade de Porto de Moz, no Pará.

Verdades tem sido publicadas, mas muito se fala em razão do primeiro momento após o sinistro, e que é fruto apenas da comoção que o fato provocou.

São recorrentes as afirmações no sentido de que, na Amazônia, os rios são as estradas e que o transporte fluvial de passageiros é essencial para a região, no mais das vezes desprovida de serviço de transporte coletivo por outros modais.

Contudo, é necessário que a sociedade brasileira seja portadora de informações que permitam que seja feito um juízo crítico e isento de paixões a respeito de fatos dessa natureza.

Segundo registros da Autoridade Marítima, desde 1981 foram anotados acidentes com embarcações de passageiros na Amazônia, tendo ocorrido mortes.

Considerando que são transportados aproximadamente 12 milhões de passageiros/ano, o número de mortos é relativamente pequeno, embora cada uma delas seja uma perda irreparável. Sobreviventes ou mortos não se deveria contar, pela natureza funesta deste balanço.

Porém, é preciso que o resultado dessa conta nos leve a tomar decisões racionais, com resultados práticos positivos na condução das políticas publicas de transporte, pouco importando o modal.

Segundo informação que circula nas matérias noticiadas, o barco motor comandante Ribeiro não possuía autorização da  Agência Estadual de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon-Pa) para fazer  transporte. Essa observação é crucial, pois pode dar a falsa impressão que, se a autorização existisse, o acidente não teria acontecido.

Obviamente que a questão não é superficial assim.

A princípio, devemos buscar o fim das medidas de caráter punitivo que são desencadeadas imediatamente após um acidente. É praxe, a título de dar satisfação à sociedade, que se decrete a prisão do comandante, dos proprietários da embarcação e até a apreensão desta. Todas são medidas sensacionalistas.

Imprescindível dizer que não estamos pregando a impunidade.

O que deve ocorrer é que, antes de qualquer medida precipitada, tomada no fragor dos fatos, sejam apuradas as responsabilidades, mediante as garantias do devido processo legal para, então, atribuir a quem couber as penalidades cabíveis.

Do mesmo modo, em caráter de primazia, é fundamental que nos debrucemos sobre a questão que envolve o sistema de transporte de passageiros nos rios da Amazônia.

Com efeito, se observarmos o desenvolvimento da indústria automobilística no Brasil, constatamos facilmente a modernização da frota, a qual agrega a cada nova série as novidades tecnológicas disponíveis.

No caso da frota de embarcações de passageiros, o que acontece é diametralmente o oposto.

Primeiro, por que não há produção em série dessas embarcações.

Segundo, continuam a ser utilizados os modelos do início do século XX, com estrutura toda de madeira, muitas construídas empiricamente e em uso há décadas.

Para que acidentes como o recentemente ocorrido não voltem a acontecer, é fundamental que o poder publico reveja conceitos ultrapassados e que ainda vigoram.

Precisa ser urgentemente abandonada a política publica de fiscalização com o pretexto único de autuação.

A título de sugestão, poderia se iniciar com a criação de política publica que fomentasse, por meio de linhas de créditos especiais, a renovação da frota, incentivando a criação de projetos que levem à padronização das embarcações, produção em série das mesmas, com inclusão de novas tecnologias, notadamente no aspecto da segurança e o conforto dos passageiros.

O tratamento isonômico em relação às políticas publicas, elevando o modal aquaviário de transporte de passageiro ao mesmo nível com que são tratados os modais rodoviário e aéreo de passageiros.

É o mínimo que se pode esperar em respeito à cidadania e dignidade de quem não tem opção, seja em razão de sua localização, seja em razão da sua condição econômica. Afinal, todos somos filhos da mesma pátria.

 

 Fonte: FENAVEGA





Deixe seu comentário:

Cadastro
PARCEIROS FENAVEGA
Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária

Endereço: SAUS Quadra: 1 Bloco J Entradas 10 e 20 Edifício CNT - Sala 508. CEP: 70714-900 - Brasília - DF - Brasil
Telefones: (61) 9 9699 0269 (61) 3224 1008 Whatsapp: (61) 9 99690269
Email: faleconosco@fenavega.com
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. PROIbída a cópia do conteúdo.