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Retirada de sedimentos descontamina canal de navegação do Porto de Santos, SP

Após quase meio século, o Canal de Piaçaguera, no Porto de Santos, litoral de São Paulo, avança nas obras de recuperação ambiental. A via aquaviária é alvo de uma dragagem inédita no País, planejada durante quase duas décadas e executada após mais de cinco mil análises químicas e toxicológicas.

O canal serve de acesso marítimo ao Terminal Integrador Portuário Luiz Antônio Mesquita (Tiplam), operado pela VLI, e que recentemente ampliou a capacidade de movimentação para 14,5 milhões de toneladas por ano, seis vezes superior a anterior. O investimento calculado para a expansão é de R$ 2,7 bilhões.

 

Em movimentação de granéis sólidos, a instalação ofertou mais 20% na capacidade de passagem dos grãos pelo Porto de Santos. A obra foi concluída este ano e também fez consolidar o Corredor Centro-Sudeste de escoamento da produção agrícola nacional, aliando eficiência portuária à cadeia logística.

O Canal de Piaçaguera é o único acesso marítimo ao novo Tiplam, que passou a ter quatro berços de atracação de navios. A via navegável sofre reflexos de assoreamento em razão da deposição de sedimentos provenientes de rios da Serra do Mar e manteve profundidade máxima média de, aproximadamente, 10 metros em toda a extensão.

O local, próximo a Cubatão, também recebeu interferência da atividade industrial do Polo Petroquímico da cidade, principalmente nas décadas de 1960 e 1970, conforme o presidente da Consultoria, Planejamento e Estudos Ambientais (CPEA), Sérgio Pompéia.

Por isso, as obras de dragagem para recuperar a navegabilidade do canal demandaram estudos até então inéditos no País. Os trabalhos foram iniciados ao final da década de 1990 e serviram para, inicialmente, compreender quais tipos de substâncias estavam presentes e, a partir daí, traçar um plano de ação para correta destinação.

 

"O projeto contém um detalhado planejamento de longo prazo para restabelecer a navegação do canal e promover a limpeza dele de forma segura", comenta o presidente do CPEA. Em 2005, as empresas que utilizam o canal receberam a licença ambiental das autoridades responsáveis para a execução de obras de dragagem na área, com a definição das diretrizes ambientais a serem adotadas.

A tecnologia adotada na dragagem chama-se Clean-Up (limpeza, em inglês). Trata-se da retirada de sedimentos, que são levados para uma área confinada e controlada, evitando novos riscos de contaminação. A obra concilia, ainda, a disposição do material com a recuperação ambiental da região.

Uma cava subaquática foi construída próxima à região do Canal de Piaçaguera, em área abrigada, com características apropriadas para receber o material. Os sedimentos, que antes ocupavam a célula construída, são de boa qualidade e, por isso, foram depositados em mar aberto, em local apropriado que já recebe os sedimentos da dragagem do Canal do Porto de Santos, principal via marítima de acesso aos terminais do complexo portuário de Santos.

"A disposição em cava é utilizada em diversos países, como os Estados Unidos. Após a etapa de disposição e confinamento não há mais o risco de dispersão de contaminantes", explica o engenheiro especialista em dragagem Paul Schroeder, que integra o USACE (Corpo de Engenheiros do Exército Americano).

 
 

Os sedimentos dragados do Canal de Piaçaguera são, então, depositados nessa célula que ficará isolada e evita, assim, qualquer contaminação no ecossistema marinho. Ao final do preenchimento, previsto para ocorrer ainda este ano, a cava é selada e ali o ambiente se recupera naturalmente.

"Essa realidade fez com que a gente desenvolvesse tecnologia em função de ensaios que realizamos em laboratório e modelos matemáticos", conta o gerente-geral do projeto da dragagem, Achilles Caporalli. Um equipamento adequado de dragagem, devidamente monitorado, realiza a navegação, remoção e disposição dos sedimentos na cava de forma controlada, por meio de um dispositivo específico – chamado de “difusor” – que foi desenvolvido para atender o projeto.

Este duto de sucção da draga recolhe o sedimento do fundo, armazena em um tanque a bordo e o devolve na célula aberta. "O difusor lança, de forma uniforme e a baixa velocidade, o material dragado dentro da cava. Com isso, a gente o contém exatamente no lugar, justamente para evitar qualquer dispersão ou escape na região do entorno da cava", explica Achilles.

Ainda para garantir a segurança da célula submersa, uma cortina de silte foi instalada no entorno da área. O objetivo, segundo Caporalli, é justamente evitar eventual dispersão da pluma submersa, que é produzida a partir do processo de disposição de sedimento dentro da cava.

"A dragagem é fundamental para o desenvolvimento econômico da região e para a solução ambiental do passivo. Hoje, a situação do canal é crítica, tanto na questão ambiental, quanto economicamente", lembra o diretor comercial de novos negócios da VLI, Fabiano Lorenzi, que acompanha os trabalhos no local.

 
 

Com a dragagem, o Canal de Piaçaguera atingirá uma profundidade com material apto à disposição oceânica, facilitando as dragagens de manutenção futuras. Também permitirá a navegação de navios de maior capacidade (tipo Panamax). Atualmente, o trecho, que também atende aos terminais do Polo Petroquímico de Cubatão, tem profundidade média de 10 metros, comprometendo o acesso aos cargueiros.

"A dragagem é um serviço que visa a recuperação da profundidade original do canal para que a gente possa operar os navios para os quais o porto foi projetado. Mas essa dragagem torna-se especial, pois é um trabalho de recuperação ambiental. É, acima de tudo, um trabalho de limpeza", lembra o diretor de projetos da VLI, Luiz Otávio Costa.

 

Fonte: VLI





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