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Drenagem leva segurança às rodovias e reduz impacto ambiental

Você pode até não notar, mas a qualidade das rodovias por onde trafega depende em grande parte dos seus sistemas de drenagem. Quando bem projetados, eles garantem pistas mais seguras em dias de chuva, estradas bem conservadas e com menos risco de desmoronamentos e de agressões ao meio ambiente.

Existem quatro tipos diferentes de drenagem em rodovias. Uma delas é a superficial, muito semelhante à do esgoto pluvial de uma cidade. Caixas de captação e sarjetas posicionadas em diferentes pontos da pista, como nos acostamentos e meios-fios, recolhem a água da chuva, que é conduzida por meio de tubos e galerias até o lançamento em corpos d’água próximos.

O próprio asfalto, que é poroso, também permite a penetração da água da chuva, que é conduzida por um dreno de brita até a lateral da pista. Essa drenagem é chamada de subsuperficial. Sem esse trabalho, a pressão dos pneus dos carros sobre a água acumulada na pista danificaria o asfalto, criando as famosas “panelas” e buracos, além de aumentar o risco de derrapagens.

A drenagem profunda consiste em conter a subida da água de lençóis freáticos que possam danificar a estrutura da estrada. Isso é feito por meio de drenos, mas, dependendo da quantidade de água, bombas podem ser instaladas para ajudar na remoção. “Em geral se evita o uso de bombas, devido às dificuldades para a manutenção dos dispositivos”, diz a engenheira civil especialista em drenagem Monique de Faria Marins, mestra em Recursos Hídricos pela COPPE/UFRJ, e professora do Grupo HCT.

O que ninguém imagina é que as pontes também fazem parte do sistema de drenagem das rodovias. Elas compõem o quarto tipo de drenagem, de talvegue ou de transposição, que é quando a obra garante a travessia de um curso d’água de um lado para outro da estrutura da via. Se o curso d’água em questão for pequeno, um bueiro pode fazer esse serviço.

Impedir desmoronamentos no entorno é outra função primordial dos sistemas de drenagem de rodovias. Por isso, caixas de captação também são colocadas nos taludes – como são chamadas as inclinações de terra posicionadas ao lado das estradas-, evitando o acúmulo de água da chuva e reduzindo o risco de deslizamentos.

Na construção de uma rodovia do zero, o custo da obra de drenagem pode chegar a 20% do valor total do projeto, segundo Artur Carvalho, gestor de Projeto, Orçamento e Planejamento da CCR Engelog. “Isso depende da complexidade da obra e das dificuldades que a topografia do terreno pode apresentar para se construir o sistema”, diz.

Mesmo que seja mais complexa, a elaboração de uma boa drenagem é um investimento com retorno garantido. Monique Marins estima que uma estrada projetada para durar dez anos pode ter sua vida útil reduzida à metade caso a drenagem não funcione bem – ou até mais que isso, dependendo das condições climáticas da região onde for construída.

Manutenção em períodos críticos

Para o bom funcionamento da drenagem de uma rodovia, a sua manutenção e limpeza são fundamentais. Na Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, o sistema passa por duas grandes limpezas: uma preventiva, logo antes do período de chuvas, que ocorre entre novembro e março, e outra corretiva, quando começa a temporada seca. Além disso, é feito o monitoramento da drenagem durante todo o período de chuvas, para evitar complicações.

De acordo com Odair Tafarelo, gestor de Atendimento da CCR AutoBan, concessionária da Bandeirantes, são necessários cerca de 100 funcionários para fazer esse trabalho nos 164 km de extensão da rodovia, que liga a capital paulista a alguns dos municípios mais importantes do Estado, como Campinas, Jundiaí e Limeira.

Segundo Tafarelo, o trabalho de limpeza de dejetos (na maior parte dos casos, compostos de terra) é feito normalmente de forma manual pelos funcionários. “Mas, em alguns casos, precisamos usar retroescavadeiras na entrada ou na saída das galerias”, diz. Dependendo do diâmetro, um desentupidor mecânico pode ser implementado para vasculhar e limpar os dutos. No caso da Bandeirantes, o diâmetro das galerias varia de 80cm a 2m.

O gestor da CCR AutoBan considera o esforço de limpeza dos dutos um sucesso, já que em 2016 e 2017 não foram registrados fechamentos da Bandeirantes por alagamento de pista, mesmo com episódios de forte chuva.

Nas áreas urbanas, outro desafio para quem faz a manutenção da drenagem são os objetos jogados nas rodovias ou nas valas, que acabam causando obstruções no sistema. “Por mais que se controle, nessas faixas que têm habitações por perto são jogados fora móveis, geladeiras, máquinas de lavar”, diz Flávio Freitas, diretor superintendente da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias). “Se não houvesse esse problema, certamente os efeitos dos alagamentos seriam menos dramáticos”.

Atenção ao meio ambiente

A preocupação com o impacto ambiental está presente nos projetos modernos de drenagem em rodovias. No Estado de São Paulo, por exemplo, todas as obras rodoviárias passam por vistorias de um grupo composto por diferentes órgãos de governo, responsáveis por conceder a licença de operação. A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) fazem a avaliação dos aspectos ambientais do licenciamento.

Segundo a Cetesb, os responsáveis pela obra devem, na apresentação do projeto, provar a eficiência das drenagens. Entre os critérios verificados pela companhia, está, por exemplo, o dimensionamento dos sistemas para que suportem eventos climáticos por um período de 10 anos, passando por uma revisão depois disso.

Um dos ganhos ambientais causados pela drenagem é a recomposição da camada vegetal no entorno da rodovia. “Se o sistema for bem projetado, ele funciona como uma espécie de irrigação da encosta, fertilizando o terreno e criando uma proteção contra desmoronamentos”, diz Paulo Resende, professor do núcleo de Logística e Infraestrutura da Fundação Dom Cabral.

Já o transporte de cargas perigosas é a principal preocupação ambiental relacionada à drenagem de rodovias. “O tombamento de combustíveis ou cargas tóxicas na pista é um problema, ainda mais se o material for drenado e descartado perto de mananciais de água”, afirma Alexandre Catão, gestor de Projeto, Orçamento e Planejamento da CCR Engelog.

Para evitar esses problemas, a Dersa, ao fazer a avaliação do projeto, indica que, em trechos sobre cursos d’água, ou então próximos a represas e áreas urbanas, sejam instaladas caixas de contenção, que evitam o descarte do material e previnem contaminações. A Dersa também veta o uso de canos de PVC nesses trechos, para evitar danos ao sistema de drenagem caso substâncias inflamáveis peguem fogo na rodovia.

Os sistemas de drenagem também podem servir como um instrumento de sustentabilidade e economia. No km 88 da Rodovia Presidente Dutra, em Pindamonhangaba (SP), a praça de pedágio de Moreira César conta, desde setembro de 2017, com um sistema especial de captação da chuva, gerando uma economia de 25% a 30% do consumo de água no local. A obra, executada pela CCR NovaDutra, foi projetada por alunos dos cursos de Engenharia Mecânica e Engenharia Elétrica da UNESP de Guaratinguetá, como resultado de um concurso promovido pela concessionária em parceria com a universidade.



Fonte: G1, por CCR




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